O diagnóstico inesperado

Atualmente o diagnóstico de lesões hepáticas vem aumentando devido principalmente à realização cada vez mais frequente de exames complementares em todo o mundo.1 Assim, quando o paciente recebe esta notícia como resultado do fruto do acaso, a primeira preocupação que manifesta é: "Será que estou com algo grave?"

A probabilidade de um indivíduo ser portador de um nódulo hepático é em média 2%.2 Entretanto, o risco deste nódulo representar uma doença maligna (câncer) é raro. Compreender o que significa esse achado e quando ele merece atenção especial é o primeiro passo para lidar com essa situação com tranquilidade e segurança.

"A grande maioria dos nódulos hepáticos encontrados ao acaso é benigna e não representa risco à saúde. O acompanhamento médico especializado é fundamental para a avaliação correta de cada caso."

Hemangioma hepático — o mais comum

O tipo de tumor do fígado mais frequentemente diagnosticado é o hemangioma hepático — um tumor benigno formado por vasos sanguíneos que geralmente não causa sintomas e não preocupa. É o achado incidental mais comum em exames de imagem abdominal e, na grande maioria dos casos, não requer nenhum tratamento, apenas acompanhamento.

Hiperplasia nodular focal

Outro achado relativamente frequente, especialmente em mulheres jovens, é a hiperplasia nodular focal (HNF). Trata-se de uma lesão benigna do fígado, formada por hepatócitos normais organizados de maneira anômala em torno de uma artéria central. Apesar de seu aspecto por vezes preocupante nos exames de imagem, a HNF não tem potencial maligno e raramente causa sintomas.4

Diferentemente do adenoma hepático, a hiperplasia nodular focal não está associada ao uso de anticoncepcionais orais e, na imensa maioria dos casos, não requer cirurgia. O diagnóstico preciso — geralmente pela ressonância magnética com contraste — é fundamental para diferenciá-la de outras lesões e evitar intervenções desnecessárias.5

Adenoma hepático — atenção especial

Um tumor relativamente frequente, principalmente em mulheres, é o adenoma hepático. Apesar de ser benigno, apresenta um determinado risco de sangramento ou transformação maligna, estando principalmente associado ao uso crônico de anticoncepcionais orais. Por essa razão, merece avaliação e acompanhamento cuidadoso por um especialista.

Quando se preocupar?

Existem uma variedade de outros tumores hepáticos, incluindo os casos de câncer, que são mais raros. O paciente deve se preocupar quando alguns fatores de risco ou sintomas estão presentes:3

⚠️ Sinais de alerta — procure um especialista

Presença de cirrose hepática · Hepatites virais (principalmente B e C) · Obesidade · Perda de peso sem causa aparente · Falta de apetite · Olhos amarelados (icterícia) · Urina escura · Dor abdominal intensa

A importância da consulta médica especializada

Apesar do desenvolvimento tecnológico sofisticado do século XXI, a história clínica detalhada e o exame físico — que constituem práticas preciosas na relação médico-paciente — são fundamentais para o diagnóstico correto. Os exames de imagem são ferramentas importantes, mas precisam ser interpretados por um especialista dentro do contexto clínico de cada paciente.

Procure o médico especialista de sua confiança caso você seja fruto deste acaso. Uma avaliação individualizada é sempre o caminho mais seguro.

Referências bibliográficas

1. Semaan A, Branchi V, Marowsky AL, Von Websky M, Kupczyk P, Enkirch SJ, Kukuk G, Bölke E, Stoffels B, Kalff JC, Schäfer N, Lingohr P, Matthaei H. Incidentally Detected Focal Liver Lesions – A Common Clinical Management Dilemma Revisited. Anticancer Research. 2016 Jun;36(6):2923-2932.
2. Marrero JA, Ahn J, Reddy RK; Practice Parameters Committee of the American College of Gastroenterology. ACG Clinical Guideline: The Diagnosis and Management of Focal Liver Lesions. American Journal of Gastroenterology. 2014 Sep;109(9):1328-1347. DOI: 10.1038/ajg.2014.213.
3. Calle EE, Rodriguez C, Walker-Thurmond K, Thun MJ. Overweight, Obesity, and Mortality from Cancer in a Prospectively Studied Cohort of U.S. Adults. New England Journal of Medicine. 2003 Apr 24;348(17):1625-1638. DOI: 10.1056/NEJMoa021423.
4. Bioulac-Sage P, Laumonier H, Couchy G, et al. Hepatocellular adenoma management and phenotypic classification: the Bordeaux experience. Hepatology. 2009;50(2):481-489. DOI: 10.1002/hep.22995.
5. Vilgrain V, Boulos L, Vullierme MP, Denys A, Terris B, Menu Y. Imaging of atypical hemangiomas of the liver with pathologic correlation. Radiographics. 2000;20(2):379-397. DOI: 10.1148/radiographics.20.2.g00mc01379.

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Prof. Dr. Edmond Le Campion

Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo · Doutor pela FMUSP/USP
Professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFG
Professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UniEvangélica
Professor Adjunto e Chefe do Departamento de Cirurgia — UFG

CRM-GO 13872 · RQE 6651

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.