O que é o câncer gástrico?
O câncer gástrico é um tumor maligno que se desenvolve na parede do estômago. É uma das neoplasias mais frequentes no mundo e no Brasil, sendo mais comum em homens e em pessoas acima de 50 anos. Apesar de sua incidência ter diminuído nas últimas décadas, ainda representa um desafio importante pela frequência do diagnóstico tardio.
Quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer gástrico tem altas chances de cura. O problema é que, na maioria dos casos, os sintomas são inespecíficos e a doença avança silenciosamente antes de ser identificada.
"O diagnóstico precoce do câncer gástrico é o fator mais determinante para o sucesso do tratamento. Sintomas persistentes no estômago nunca devem ser ignorados ou tratados indefinidamente sem investigação adequada."
Quais são os fatores de risco?
- Infecção pelo Helicobacter pylori — principal fator de risco modificável
- Dieta rica em alimentos defumados, salgados e conservados
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
- Histórico familiar de câncer gástrico
- Gastrite atrófica crônica e metaplasia intestinal
- Obesidade
- Grupo sanguíneo A
- Síndromes hereditárias como câncer gástrico difuso hereditário
Quais são os sintomas?
Nos estágios iniciais, o câncer gástrico frequentemente não causa sintomas específicos. Quando presentes, os mais comuns são:
- Dor ou desconforto persistente no estômago
- Sensação de estufamento após pequenas refeições
- Náuseas e vômitos frequentes
- Perda de apetite sem causa aparente
- Perda de peso significativa e não intencional
- Dificuldade para engolir
- Sangramento digestivo — vômito com sangue ou fezes escuras
- Anemia e fraqueza persistente
⚠️ Atenção — quando investigar
Qualquer sintoma gástrico que persista por mais de 2 a 3 semanas, especialmente em pessoas acima de 40 anos ou com fatores de risco, deve ser investigado com endoscopia digestiva alta. Não trate indefinidamente sem diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico?
- Endoscopia digestiva alta com biópsia — exame fundamental para visualizar o tumor e confirmar o diagnóstico
- Tomografia computadorizada — avalia a extensão do tumor e presença de metástases
- Ecoendoscopia — fundamental para avaliar a profundidade de invasão do tumor na parede gástrica
- Ressonância magnética e PET-CT — utilizados em casos selecionados para estadiamento
- Laparoscopia de estadiamento — em casos selecionados, para avaliar disseminação peritoneal antes da cirurgia
Como é o tratamento cirúrgico?
A cirurgia é o principal tratamento curativo do câncer gástrico. O tipo de operação depende da localização e extensão do tumor:
- Gastrectomia total — retirada de todo o estômago, indicada para tumores do corpo e fundo gástrico
- Gastrectomia subtotal — retirada de parte do estômago, possível em tumores do antro gástrico
- Linfadenectomia D2 — remoção sistemática dos linfonodos regionais, fundamental para o estadiamento e controle da doença
Sempre que possível, as cirurgias são realizadas por videolaparoscopia — técnica minimamente invasiva com menor sangramento, menos dor e recuperação mais rápida, com resultados oncológicos equivalentes à cirurgia aberta.
Qual o papel da quimioterapia?
O tratamento do câncer gástrico é frequentemente multidisciplinar. A quimioterapia pode ser utilizada:
- Antes da cirurgia (neoadjuvância) — para reduzir o tumor e aumentar as chances de ressecção completa
- Após a cirurgia (adjuvância) — para reduzir o risco de recidiva
- No câncer metastático — como tratamento paliativo para controle da doença
Como é a recuperação?
Após a gastrectomia, o paciente passa por um período de adaptação alimentar importante. Como o estômago é menor ou foi retirado, as refeições precisam ser menores e mais frequentes. A maioria dos pacientes adapta-se bem ao longo de algumas semanas e retoma uma boa qualidade de vida.
O acompanhamento nutricional e o seguimento oncológico regular são fundamentais após a cirurgia para garantir a melhor recuperação e detectar precocemente qualquer recidiva.
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Prof. Dr. Edmond Le Campion
Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo · Doutor pela FMUSP/USP
Professor Adjunto e Chefe do Departamento de Cirurgia — UFG
Especialista em cirurgia de neoplasias gástricas e colorretais
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.