O que é o câncer colorretal?
O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) ou no reto. É um dos tipos de câncer mais comuns no Brasil e no mundo, sendo o segundo tumor maligno mais frequente em ambos os sexos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o câncer colorretal tem altas taxas de cura — com sobrevida superior a 90% nos estádios iniciais. Por isso, o rastreamento e o diagnóstico precoce são fundamentais.
⚠️ Atenção — Rastreamento a partir dos 50 anos
Pessoas com 50 anos ou mais, mesmo sem sintomas, devem realizar pelo menos uma colonoscopia de rastreamento durante sua vida. Quem tem histórico familiar de câncer colorretal ou doença polipóide intestinal pode iniciar o rastreamento mais cedo, conforme orientação médica.
Quais são os fatores de risco?
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer colorretal:
- Idade acima de 50 anos
- Histórico familiar de câncer colorretal ou doença polipóide intestinal
- Doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, retocolite ulcerativa)
- Dieta rica em gorduras e carnes vermelhas processadas
- Sedentarismo e obesidade
- Tabagismo e consumo excessivo de álcool
- Síndromes hereditárias como polipose adenomatosa familiar (PAF) e síndrome de Lynch
Quais são os sintomas?
O câncer colorretal frequentemente não causa sintomas nos estágios iniciais — o que reforça a importância do rastreamento. Quando presentes, os sintomas mais comuns são:
- Sangramento nas fezes ou sangue vivo pelo ânus
- Mudança persistente no hábito intestinal (diarreia ou constipação)
- Sensação de evacuação incompleta
- Dor ou cólica abdominal sem causa aparente
- Perda de peso sem motivo definido
- Fraqueza, cansaço excessivo e anemia
- Abdômen distendido ou massa palpável no abdômen
"Sangramento nas fezes nunca deve ser ignorado. Mesmo que a causa mais comum sejam as hemorroidas, apenas uma avaliação médica com colonoscopia pode descartar o câncer colorretal com segurança."
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do câncer colorretal é confirmado por:
- Colonoscopia — exame padrão-ouro, permite visualizar todo o intestino grosso e coletar biópsias
- Tomografia computadorizada — avalia extensão do tumor e possíveis metástases
- Ressonância magnética — fundamental para tumores do reto, avalia o estadiamento local
- Marcadores tumorais — CEA e CA 19-9, usados para acompanhamento
Quais são os estádios do câncer colorretal?
O estadiamento define a extensão do tumor e orienta o tratamento:
Tumor restrito à parede intestinal. Cura com cirurgia em mais de 90% dos casos.
Tumor ultrapassa a parede intestinal, sem comprometimento dos linfonodos.
Comprometimento dos linfonodos regionais. Cirurgia seguida de quimioterapia.
Metástases a distância (fígado, pulmão). Tratamento multidisciplinar individualizado.
Como é o tratamento cirúrgico?
A cirurgia é o principal tratamento do câncer colorretal e tem como objetivo a remoção completa do tumor com margens cirúrgicas adequadas e dos linfonodos regionais. O tipo de cirurgia depende da localização e do estádio do tumor.
As principais cirurgias realizadas são:
- Hemicolectomia direita ou esquerda — remoção de parte do cólon, conforme a localização do tumor
- Sigmoidectomia — remoção do cólon sigmoide
- Ressecção anterior do reto — para tumores do reto com preservação do esfíncter
- Amputação abdominoperineal — em tumores do reto inferior, quando não é possível preservar o esfíncter
- Ressecção de metástases hepáticas — em casos selecionados, a cirurgia do fígado pode ser realizada de forma combinada ou em segundo tempo
Sempre que possível, as cirurgias são realizadas por videolaparoscopia ou abordagem robótica, com menor trauma cirúrgico, recuperação mais rápida e resultados oncológicos equivalentes à cirurgia aberta.
É necessário usar bolsa de colostomia?
Uma das maiores preocupações dos pacientes é a necessidade de colostomia — abertura do intestino na parede abdominal com uso de bolsa coletora. Com as técnicas modernas, a maioria dos pacientes não necessita de colostomia definitiva.
Em alguns casos, pode ser necessária uma colostomia temporária para proteção da anastomose (junção intestinal), que é revertida após alguns meses. A colostomia definitiva é reservada para situações específicas, como tumores muito próximos ao esfíncter anal.
Qual o papel da quimioterapia e radioterapia?
O tratamento do câncer colorretal é frequentemente multidisciplinar. A quimioterapia e a radioterapia podem ser utilizadas:
- Antes da cirurgia (neoadjuvância) — para reduzir o tamanho do tumor, especialmente no câncer de reto
- Após a cirurgia (adjuvância) — para eliminar células tumorais residuais e reduzir o risco de recidiva
- No câncer metastático — como tratamento principal, associado ou não à cirurgia
Está com sintomas ou precisa de uma segunda opinião?
O diagnóstico precoce salva vidas. Agende uma consulta e receba uma avaliação individualizada por um cirurgião especializado em tumores do aparelho digestivo.
Prof. Dr. Edmond Le Campion
Cirurgião Geral e do Aparelho Digestivo · Doutor pela FMUSP/USP
Professor Adjunto e Chefe do Departamento de Cirurgia — UFG
Especialista em cirurgia de neoplasias colorretais, hepáticas e pancreáticas
CRM-GO 13872 · RQE 6651Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.